Estudar ouvindo música: ajuda ou atrapalha?

Foto por Firmbee/Pixabay

“Estou trancado em casa e não posso sair. Papai disse, tenho que passar. Nem música eu não posso mais ouvir e assim não posso nem me concentrar”. Este é um trecho da música “Química”, um dos sucessos dos anos 1980 da banda de rock Legião Urbana. A letra traz uma indagação comum a muitos vestibulandos e concurseiros: estudar ouvindo música ajuda ou atrapalha a nossa concentração? Pelo trecho acima, Renato Russo, compositor da letra, parecia preferir trabalhar intelectualmente ouvindo música.

Neste artigo vamos explicar para você como o nosso cérebro funciona e te mostrar que a música não só é uma aliada da concentração como pode, até, potencializa-la. Isto se você a usar da forma correta. Daremos todas as dicas para você dominar isto. Vamos lá.

Como funciona o nosso cérebro?

Não é raro ouvirmos que o cérebro humano é o mais potente “computador” existente, mesmo que não tenhamos descoberto, ainda, metade de todo seu potencial. O cérebro humano consegue processar informações complexas em frações de segundos que mesmo os computadores mais modernos e potentes não conseguem realizar.

Em geral, muitas pessoas sabem que o cérebro humano é dividido em dois hemisférios: o esquerdo e o direito. O lado esquerdo é comumente associado como responsável pelo raciocínio lógico, pelo uso da razão, o pensamento estratégico e analítico. Já o direito, por sua vez, é responsável pelas emoções e os sentimentos, a criatividade e a intuição. O que muitas pessoas desconhecem é que não existe uma divisão rígida entre os lados do cérebro, mas um predomínio de certas habilidades entre estes lados.

As pesquisas mais recentes indicam que as áreas do cérebro atuam em um esquema de colaboração mútua. Quanto melhor a conexão entre os dois lados, melhor será o resultado da atividade realizada. A área do cérebro que conecta os hemisférios é chamada de corpo caloso, e a sua função é exatamente esta: transferir informações de um hemisfério para o outro de modo equilibrado e harmônico.

Uma boa sintonia entre os hemisférios gera profundidade e agilidade em nosso raciocínio, além de facilitar o aprendizado e a capacidade de memorização. A música pode ser um aliado fundamental para conectar os hemisférios de modo harmonioso. Quando estamos estudando, com predomínio de análises e raciocínio lógico, o lado esquerdo do cérebro fica em primeiro plano, priorizado, porém, em plena comunicação com o lado direito. Por ser mais lúdico do que lógico, o lado direito pode detectar a tarefa de estudar como sendo pouco prazerosa, e a tendência, caso isto ocorra, é ficarmos entediados, impacientes e sonolentos. Logo perdemos o ânimo para continuar estudando e a nossa produtividade se torna baixa.

Ouvir música pode dar elementos para utilizarmos os dois lados do cérebro no mesmo nível, e a troca de informações entre eles será mais intensa e harmoniosa: enquanto utilizamos o poder de análise e raciocínio lógico típico do hemisfério esquerdo, o direito irá se satisfazer e se concentrar na música, que é lúdica, cheia de sensações e sentimentos. Deste modo o corpo caloso atuará com mais harmonia e intensidade. Há muitas vantagens nisto, pois a música nos traz relaxamento, deixando a mente mais aberta e receptiva para a aprendizagem, além de estimular a imaginação, favorecer a concentração e facilitar o armazenamento dos conteúdos estudados.

Apesar do que foi dito, é preciso estar atento ao fato de que a música pode nos ajudar a concentrar no estudo, mas também pode nos distrair. Acontece que quando a música tem letra pode gerar divergência de informações no cérebro, o que atrapalhará a concentração e dispersará o foco no estudo, levando a atenção, primordialmente, para a música. Por isto, não podemos escutar qualquer tipo de música quando estivermos estudando, e sim músicas que estimulem nossa concentração e deixem nossa mente tranquila. Neste caso, vale a pena entendermos um pouco mais sobre o funcionamento do cérebro.

O avanço científico e o desenvolvimento tecnológico permitiu aos cientistas descobrirem um pouco mais sobre o modo como o cérebro humano atua. Entre as descobertas está o fato de que o cérebro atua a partir de padrões, seja de áreas de atuação, que podem ser reverificadas hoje por imageamento funcional cerebral, como também pela atividade elétrica cerebral, que é possível de ser verificada pelo eletroencefalograma.

No caso de estudar ouvindo música, as atividades elétricas do cérebro são as que mais nos interessam. Hoje os neurocientistas sabem que as atividades elétricas do cérebro correspondem a determinados estados de consciência, como meditação, relaxamento, concentração ou estresse.  Estes padrões de atividades elétricas foram classificados pelos cientistas em faixas de frequências sonoras mensuradas em Hertz. Até momento existem cinco classificações: Delta, Teta, Alfa, Beta e Gamma. Entenda melhor como cada uma delas funciona:

  • Ondas Delta (0,5Hz – 3Hz): representa a frequência mais baixa de nossas ondas cerebrais. Seu estado de consciência está relacionado ao sono profundo, à cura e recuperação de nossas células e a consciência expandida. Há pesquisa revelando que manter a consciência em estado Delta abre caminho para o nosso inconsciente, onde a intuição ocorre facilmente. Outras indicam que esta faixa é benéfica para combater a insônia. Existem, ainda, frequências dentro desta faixa que propiciam o hormônio do crescimento humano, por isto esta faixa pode ajudar na regeneração celular e na cura.
  • Ondas Teta (4Hz – 7Hz): estar na faixa Teta é como sonhar acordado. Este estado de consciência corresponde a meditação, relaxamento e sonhos mais profundos. Por isto a faixa Teta propicia o acesso a memórias do inconsciente, aumenta nossa criatividade além de permitir realizar reprogramação mental e lembrar sonhos de modo detalhado. Nas frequências de Teta que favorecem a meditação profunda, podemos expandir nossa mente para além dos limites do corpo.
  • Ondas Alfa (8Hz – 12Hz): permite a expansão da consciência interna e da criatividade. Neste estado a ansiedade desaparece, dando lugar a sensação de paz e bem estar. As ondas Alfa são benéficas para o tratamento do estresse e também auxiliam no processo de memorização. Para acalmar a mente e aumentar a capacidade de foco e atenção, além de ser positiva para a aprendizagem.
  • Ondas Beta (13Hz – 30Hz): as frequências de beta pode associar-se a estados de consciência normal, típicas de atividades cotidianas, como dirigir, trabalhar, conversar. Entretanto, há frequências em Beta que podem nos permitir entrar em estados de concentração elevada e de atenção plena. Nesta faixa os neurônios transmitem informações de modo muito rápido, permitindo ações e pensamentos complexos que exigem elevados níveis de concentração e também alta performance, como a prática esportiva de alto nível, por exemplo.
  • Ondas Gamma (31Hz – 120Hz): nesta faixa nossos neurônios atuam do modo mais intenso, em um nível típico de hiper atividade, com índices de alerta, atenção e concentração elevadíssimos. É o ápice de nossa inteligência e capacidade cerebral tal como hoje conhecemos.

Pesquisas sugerem que escutar as chamadas músicas “clássicas” enquanto estudamos ajuda a focar na atenção, aumenta a concentração e relaxa a mente. Muitas músicas clássicas conectam nosso cérebro as frequências que levam a estados de consciência com bons níveis de concentração e propensos ao estudo, tais como as ondas Beta, por exemplo. Entretanto, há muitas pessoas que utilizam neurofrequências de ondas Gamma, Beta, Alfa, Teta e Delta não só para estudarem, mas para terem um sono mais tranquilo, combaterem a insônia, meditarem ou entrarem em estados de consciência que não temos acesso com frequência.

Se você quer estudar ouvindo música de modo concentrado e produtivo selecione músicas clássicas ou faixas de neurofrequência. Elas são ideais para o estudo, pois preparam nosso cérebro ao estado de consciência para bons níveis de concentração e maior produtividade intelectual.

Similar Posts

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.